Pilotos de balonismo competitivo da Federação Paulista de Balonismo voando ao amanhecer durante prova de precisão em São Paulo

Os pilotos paulistas que levam o Brasil ao mundo

Dos três pilotos no pódio do 38º Campeonato Brasileiro de Balonismo, em junho de 2025, dois eram paulistas. Dos quatro brasileiros convocados para o 26º Mundial FAI em Krosno, na Polônia, em setembro de 2026, três são paulistas. Dos últimos campeões paulistas, brasileiros e internacionais, uma parcela decisiva veio do estado de São Paulo. Não é coincidência. É o resultado de décadas de formação, de um ecossistema esportivo centrado em Boituva e de uma federação que funciona como ponte entre o piloto iniciante e o pódio mundial.

A Federação Paulista de Balonismo reúne hoje um time de pilotos que dominam o ranking estadual, disputam títulos brasileiros em pé de igualdade com os gaúchos e mineiros, e carregam a bandeira do país nos mundiais FAI. Alguns são nomes consagrados com mais de duas décadas de competição. Outros são jovens em ascensão rápida. Todos têm em comum o mesmo caminho — CCA, filiação FPB, Paulista, Brasileiro — e a mesma paisagem de fundo: o céu do interior paulista no amanhecer.

Este texto é um mapa dos pilotos paulistas que definem o balonismo brasileiro em 2026. Dos campeões recém-consagrados aos veteranos que construíram a história do esporte no estado. Dos que vão a Krosno ao mentor que formou gerações. É, antes de tudo, uma homenagem aos nomes por trás do que a federação representa.

A delegação brasileira em Krosno 2026

O Brasil leva ao 26º Mundial FAI de Balonismo de Ar Quente, em Krosno (Polônia), entre 17 e 25 de setembro de 2026, uma delegação de quatro pilotos: Caio Avelino, Fábio Pascoalino Passos e Markus Kalousdian, os três filiados à Federação Paulista de Balonismo, e João Vitor Justo, do Rio Grande do Sul. É a maior delegação brasileira num mundial FAI em anos — e a proporção de três paulistas entre os quatro é reflexo direto do que este texto descreve a seguir.

Caio Avelino: o campeão brasileiro de 2025 que leva a FPB à Polônia

Aos 27 anos, Caio Avelino conquistou o título do 38º Campeonato Brasileiro de Balonismo em junho de 2025, em Boituva, com 16.459 pontos. Virou a competição no último fim de semana sobre o então líder Giovani Pompermaier, do Rio Grande do Sul, que fechou com 15.628. A conquista garantiu a Caio a vaga que a FAI reserva ao campeão nacional: a representação do Brasil no 26º Mundial de Balonismo de Ar Quente, disputado em Krosno, na Polônia, de 17 a 25 de setembro de 2026.

Para a Federação Paulista de Balonismo, o título de Caio é mais do que uma conquista individual. É a primeira vez, em alguns anos, que um piloto filiado à FPB conquista o Brasileiro e carrega a bandeira do país num mundial — e faz isso tendo sido formado dentro do calendário competitivo paulista. A trajetória dele reflete exatamente o caminho que a federação defende: do Paulista ao Brasileiro, do Brasileiro ao Mundial.

Fábio Pascoalino Passos (Itupeva/SP): bicampeão brasileiro, bicampeão paulista, conhecido como Fabinho

Poucos pilotos da atual geração acumulam tantos títulos ao mesmo tempo quanto Fábio Pascoalino Passos, de Itupeva (SP), também conhecido no circuito como Fabinho ou Passos Filho. É bicampeão brasileiro adulto — conquistou o 34º Campeonato Brasileiro em 2021, em Torres/RS, e o 36º em 2023, em Boituva. É bicampeão paulista — venceu o 12º Campeonato Paulista em 2019 em Iperó (SP), aos 19 anos (o competidor mais novo da prova), e o 13º Campeonato Paulista em maio de 2024 em São Carlos (SP), em disputa acirrada com Warley Macedo e com o próprio pai, Fábio Passos. É também bicampeão brasileiro na categoria Juniores (2018 e 2019) e foi campeão do 32º Festival Internacional de Balonismo de Torres em 2022 — terreno tradicionalmente dominado por pilotos do Rio Grande do Sul. No 38º Brasileiro de 2025 em Boituva, fechou em terceiro com 15.267 pontos, compondo um pódio com dois paulistas entre os três primeiros.

Fábio Pascoalino Passos é a ponte entre o legado histórico da família Passos e o circuito competitivo atual. Que ele e o pai, Fábio Passos (pentacampeão brasileiro), tenham dividido pódios em provas paulistas é, em si, um retrato do que o balonismo paulista conseguiu construir — uma tradição familiar viva, ativa e ainda competitiva. A presença constante de Pascoalino Passos nos pódios brasileiros e internacionais é a prova mais clara de que a escola paulista produz pilotos tecnicamente maduros desde jovens. O domínio em tarefas de precisão — Fly-In, Hesitation Waltz, Judge Declared Goal — é o que explica a regularidade. Em um esporte onde um metro separa ouro de prata, regularidade é o bem mais valioso.

Markus Dikran Kalousdian: campeão brasileiro de 2022 e paulista de 2024

Markus Dikran Kalousdian venceu o 14º Campeonato Paulista de Balonismo em junho de 2024, em Boituva, pilotando a aeronave Copa Energia. A vitória o colocou entre os campeões estaduais mais recentes, e ampliou um histórico que já incluía o título do 35º Campeonato Brasileiro em 2022, em Boituva, com 19.218 pontos — placar entre os mais altos já registrados em um Brasileiro. Markus também foi terceiro colocado no 32º Brasileiro (2019), em Araçoiaba da Serra, dividindo o pódio com o pai, Rubens.

Markus representa uma linhagem decisiva para o esporte: a família Kalousdian. Rubens Rosdon Kalousdian, seu pai, é octacampeão brasileiro (1988, 1990, 1995, 1996, 2000, 2003, 2012 e 2019), tricampeão paulista (2000, 2007, 2012) e o maior campeão da história do balonismo competitivo no Brasil. Rui Kalousdian, da mesma família, foi campeão paulista em 1994 e bicampeão brasileiro (1992 e 2010). A transmissão técnica dentro da família Kalousdian atravessa quatro décadas.

Fábio Passos: a referência histórica paulista

Quando se fala em domínio paulista no balonismo brasileiro, um nome aparece antes de todos: Fábio da Silva Passos. Pentacampeão brasileiro com títulos em 1993 (Campinas/SP), 1998 (São Lourenço/MG), 1999 (Sorocaba/SP), 2002 (Ribeirão Preto/SP) e 2005 (Rio Claro/SP), e Campeão Paulista em 1996, Passos é uma das figuras que ajudaram a definir o que é balonismo competitivo no Brasil. Sua atuação atravessa três décadas e três gerações de pilotos — incluindo o próprio filho, Fábio Pascoalino Passos, que hoje divide com o pai a linhagem Passos no circuito nacional.

Mais do que títulos, Fábio Passos é um transmissor. Muitos dos pilotos paulistas que hoje disputam pódios foram formados, influenciados ou inspirados por ele ao longo dos anos. Essa continuidade é o que diferencia uma federação produtiva de uma federação apenas administrativa: alguém ensina, alguém sucede. Em São Paulo, essa cadeia nunca quebrou.

A geração campeã no pódio brasileiro recente

Além dos nomes já detalhados, a força paulista do circuito brasileiro recente tem outros dois pilotos que merecem destaque:

  • Marcos Paulo “Paulinho”bicampeão brasileiro (2015 e 2020, ambos em Boituva, com 18.020 pontos no título de 2020). Também foi Campeão Paulista em 2013, e integra a lista consistente de paulistas no topo do pódio nacional.
  • Warley Macedo (Boituva) — piloto histórico da capital brasileira do balonismo. Campeão Paulista em 2015, vice-campeão do 13º Paulista em 2024. Campeão do Festival Internacional de Balonismo de Lubao Pampanga (Filipinas) em 2019. Bicampeão do Festival Internacional de Torres em 2015 e 2016.

Os campeões paulistas históricos

O Campeonato Paulista de Balonismo conta com 15 edições desde 1994. Além dos nomes atuais já citados, vale registrar os campeões históricos que construíram a tradição do estadual:

  • Rubens Rosdon Kalousdian — tricampeão Paulista (2000, 2007, 2012)
  • George Theodoro Ary — bicampeão Paulista (2010 e 2011)
  • Fábio da Silva Passos — Campeão Paulista em 1996 (além dos 5 títulos brasileiros)
  • Aquilino Gimenes — Campeão Paulista em 1997
  • Sacha Haim — Campeão Paulista em 1995 e tricampeão Brasileiro (1994, 1997, 2004)
  • Rui Kalousdian — Campeão Paulista em 1994 (o primeiro da história) e bicampeão Brasileiro (1992 e 2010)

O ranking paulista completo, com pilotos filiados ativos e histórico por temporada, está em constante atualização na secretaria da Federação Paulista de Balonismo. Cada temporada nova traz estreantes e veteranos em rotação — parte da saúde esportiva do estado é justamente essa capacidade de renovar sem perder os nomes de sempre.

Por que São Paulo domina o balonismo competitivo brasileiro

Quatro fatores explicam, de forma estrutural, por que pilotos paulistas aparecem no topo do ranking brasileiro com tanta frequência.

Densidade do ecossistema em Boituva

Nenhuma outra cidade brasileira reúne os números de Boituva: 25 operadoras regulamentadas pela ANAC, mais de 40 balões ativos, 40 pilotos, 161 equipes de solo credenciadas. O que isso entrega ao piloto paulista é volume de voo — treinamento real, em condições reais, durante o ano inteiro. Voar muito é o que separa o piloto regular do campeão.

Calendário competitivo permanente

O Campeonato Paulista, organizado pela FPB, acontece todo ano. Isso dá aos pilotos do estado um número de provas homologadas por temporada superior ao de pilotos de estados com calendário irregular. Em um esporte cujo talento se constrói com reps (repetições), essa frequência é vantagem estrutural.

Geografia e clima favoráveis

O interior paulista tem janelas meteorológicas estáveis no outono e inverno — baixa umidade, ventos previsíveis pela manhã, inversões térmicas consistentes. A geografia dá ao piloto paulista condições operacionais que, em outros estados, não estão disponíveis com a mesma regularidade.

Formação e transmissão técnica

A Escola Brasileira de Balonismo (EBB), em Boituva, forma pilotos paulistas há décadas. Somada à tradição familiar (Kalousdian, Passos) e à mentoria informal que acontece entre pilotos veteranos e novatos no próprio campo de voo, cria-se um transfer de conhecimento técnico que nenhum curso formal substitui.

A próxima geração: como entrar no ranking paulista

Para o piloto que voa por hobby e quer entrar no circuito competitivo, o caminho é claro — e não é longo. Começa pelo cadastro ANAC como aerodesportista, passa pela formação com escola credenciada, pela obtenção da Licença de Piloto de Balão Livre (PBL) conforme RBAC 61, pela migração para operação sob RBAC 91, e termina na filiação à FPB, com inscrição na próxima etapa do Campeonato Paulista.

Detalhamos esse caminho completo no nosso Guia Definitivo do Balonismo Competitivo no Brasil. E o calendário de provas disputáveis em 2026 está em Calendário 2026 do balonismo brasileiro.

“A força paulista no balonismo brasileiro não é acidente. É resultado de décadas de formação, de calendário competitivo permanente e de uma federação que funciona como ponte entre o piloto iniciante e o pódio mundial. Cada novo campeão paulista é sinal de que a engrenagem está rodando.”

Luis Silvestre, tetracampeão brasileiro de balonismo (2011, 2013, 2014 e 2018) e representante do Brasil em campeonatos mundiais da FAI

Como pilotos e prefeituras entram nessa história

O domínio paulista só continua se a renovação continuar. E a renovação depende de dois atores: quem voa (ou quer voar) e quem sedia (ou quer sediar). A FPB mantém portas abertas para os dois.

Se você é piloto (ou quer se tornar)

A filiação à Federação Paulista de Balonismo é o primeiro passo para entrar no ranking estadual, competir por pontos que valem para o ranking nacional e ter acesso a provas homologadas pela FAI. Pilotos filiados recebem notificação direta sobre abertura de inscrições do Paulista e demais provas oficiais.

Contato para filiação: contato@balonismopaulista.com.br

Se você é gestor público do interior paulista

A FPB avalia novas cidades-sede para o 15º Campeonato Paulista de 2026 e para futuras edições. Receber uma etapa do Paulista é a porta de entrada natural para se aproximar desse ecossistema — e para que sua cidade veja, de perto, pilotos como Caio Avelino, Fábio Pascoalino Passos, Markus Kalousdian e outros competindo.

E-mail institucional: contato@balonismopaulista.com.br
WhatsApp — Presidência (Launer Bendito): +55 11 95972-2150


Texto editorial da Federação Paulista de Balonismo. Para aprofundar, veja Guia Definitivo do Balonismo Competitivo no Brasil, Calendário 2026 do balonismo brasileiro, Como Boituva virou a capital brasileira do balonismo e Por que sua cidade deveria sediar um campeonato de balonismo.